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segunda-feira, 4 de março de 2013

Hyundai é a primeira a produzir carro a hidrogênio em série

Fonte: Automotive Business - 01/03/2013
O coração do sistema é um gerador eletroquímico, um catalizador com membranas de carbono que recebe injeção de hidrogênio e ar comprimido. Dentro do dispositivo, as moléculas são separadas, gerando a energia que vai alimentar a bateria e o motor elétrico de propulsão. O único resíduo dessa reação química é vapor d’água expelido pelo escapamento – a junção das moléculas de hidrogênio e oxigênio do ar forma H2O quente. 
A principal vantagem dos carros com gerador químico a hidrogênio é a autonomia muito superior ao de carros elétricos alimentados por baterias, que rodam atualmente o máximo de 100 a 160 quilômetros antes de precisarem ser recarregados. O ix35 Fuel Cell, segundo a Hyundai, com apenas um tanque abastecido com a capacidade máxima de 5,6 quilos de hidrogênio líquido armazenado sob pressão de 700 bar, pode rodar até 594 quilômetros – autonomia semelhante ao de muitos automóveis com motor a combustão, mas sem gerar emissões de poluentes. O consumo é de apenas 0,95 kg de hidrogênio a cada 100 km, o equivalente a 27,8 km/l. O desempenho também é parecido ao de veículos comuns: o motor elétrico gera 136 cavalos e leva o ix35 a até 160 km/h, com aceleração de 0 a 100 km/h em 12,5 segundos. 
Vendas e estratégias
“O ix35 Fuel Cell prova que não é mais um sonho o uso diário de veículos com a tecnologia de células de combustível a hidrogênio”, disse Eok Jo Kim, vice-presidente do conselho da Hyundai Motor, durante a cerimônia de lançamento oficial do carro. As primeiras 15 unidades serão fornecidas para a frota da cidade de Copenhagen, na Dinamarca, como parte da iniciativa do município de zerar emissões de carbono até 2025. Outros dois ix35 elétricos já foram adquiridos pela prefeitura de Skane, na Suécia. 
Ulsan, berço da Hyundai, também quer aumentar a frota desses veículos: “Ao criar mais estações de abastecimento (de hidrogênio) para apoiar a produção de modelos a célula de combustível, vamos fazer de Ulsan uma referência para automóveis ecoamigáveis”, disse Mang Woo Park, prefeito da cidade. 
A Hyundai planeja fabricar cerca de mil ix35 Fuel Cell até 2015 e arrendá-los para frotistas públicos e privados, primeiro nos países da União Europeia onde os governos estabeleceram metas de distribuição de hidrogênio e construção de postos de abastecimento. Após 2015 a fabricante coreana espera que os custos de produção já tenham caído e a infraestrutura de hidrogênio esteja pronta, para então começar a vender no varejo, em suas concessionárias, os veículos com célula de combustível. 
A aposta é de que a legislações adotadas por diversos países no mundo para reduzir emissões e a dependência de combustíveis fósseis abra espaço para os modelos elétricos a hidrogênio. A Hyundai avalia que modelos como o ix35 Fuel Cell estejam em linha para ajudar a cumprir o acordo firmado em 2009 pelas oito maiores economias da União Europeia, com meta de cortar em 80% as emissões de CO2 até 2050, ou para atender a dura regulamentação da Califórnia, nos Estados Unidos, que planeja diminuir a zero as emissões veiculares no Estado americano. 
Desenvolvimento
Segundo a Hyundai, o ix35 elétrico a hidrogênio é resultado do “investimento de vários milhões de dólares” e 14 anos de desenvolvimento próprio, que envolveu centenas de engenheiros de seu centro de pesquisa em Mabuk, na Coreia. Foram executados testes que somam mais de 3 milhões de quilômetros rodados em condições reais na Europa, Estados Unidos e Coreia. O primeiro ix35 Fuel Cell produzido em Ulsan será mostrado no próximo Salão de Genebra, na Suíça, de 7 a 17 de março.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Setor de petróleo e gás movimenta os fornecedores

Fonte: Valor Econômico - 22/02/2013


O Rio Grande do Sul concentra esforços em torno de um objetivo ambicioso: o desenvolvimento de uma complexa indústria oceânica, envolvendo grandes estaleiros para construção de embarcações, cascos e plataformas de petróleo, inicialmente na área do Porto Rio Grande, no extremo Sul do Estado, mais recentemente no município de São José do Norte, em frente ao superporto e, agora, em Charqueadas, às margens do rio Jacuí, na Grande Porto Alegre.
Tudo em sintonia com fabricantes de equipamentos para o setor de petróleo e gás, que também pretendem aproveitar os volumosos investimentos previstos pela Petrobras, em torno de US$ 236 bilhões nos próximos quatro anos, prioritariamente, para exploração e produção de petróleo e gás natural.
 
O movimento é acelerado. Num terreno de 360 mil m2, próximo a Charqueadas, a IESA Óleo&Gás ergue sua planta para fabricação e montagem dos módulos de compressão de gás que serão instalados nas primeiras seis plataformas de exploração das jazidas do pré-sal. É parte do contrato da IESA com a Petrobras, de US$ 720 milhões, mas que pode chegar a US$ 911 milhões, com fornecimentos adicionais.
 
A IESA está gastando R$ 80 milhões na obra, que deverá estar pronta em março para o início de fabricação das estruturas metálicas. "O canteiro deverá ter aproximadamente 1,6 mil pessoas, mas já recebemos mais de 4,5 mil currículos de profissionais de várias regiões interessados em trabalhar no polo de Jacuí", diz João Alves de Oliveira, gerente de construção da empresa.
 
Mão de obra abundante e qualificada e boas condições geográficas favorecem a atração de investimentos para a criação de novos polos, avalia Aloísio Nóbrega, vice-presidente da Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI). "A estratégia para consolidação da indústria offshore é apostar na ampliação de localização geográfica da indústria oceânica, espalhando o conceito para outros pontos da Bacia Hidrográfica Sul, ligada à Lagoa dos Patos, mitigando os impactos ambientais e urbanos", explica.
 
Uma das primeiras providências, segundo Nóbrega, é o desdobramento do complexo portuário em Rio Grande para o vizinho município de São José do Norte, que possui canal com calado acima de 14 metros e uma área ainda não explorada.
 
O Estaleiros do Brasil (EBR), associado ao grupo japonês Toyo Engineering Corporation, está prestes a ser declarado vencedor de uma licitação para construção de duas plataformas para a Petrobras - contratos estimados em US$ 1,3 bilhão - e deve investir R$ 1,2 bilhão na construção em São José do Norte de uma planta de 1,5 milhão de metros quadrados, um dique seco e dois pórticos, que, juntos, poderão içar 1,6 mil toneladas. Terá seis mil empregados.
 
"O superporto de Rio Grande já está congestionado e toda a área está saturada por investimentos públicos e privados", diz Nóbrega. De fato, no momento, quatro estaleiros ocupam a região de Rio Grande: a Quip, atualmente com três plataformas em construção, a Queiroz Galvão, com contratos de US$ 1,3 bilhão para uma plataforma, a Ecovix, com dois estaleiros para cascos do pré-sal e navios sondas, contratos no total de US$ 5,4 bilhões, e a Wilson Sons, que vai construir um estaleiro semelhante ao que tem em Guarujá (SP), para produzir e restaurar embarcações de apoio à exploração de petróleo e gás, como rebocadores e navios de médio porte. Seu investimento numa área de 120 mil metros quadrados será de R$ 259 milhões.
 
Por Genilson Cezar/ Valor Econômico 
 

Os engenheiros mais procurados do país

Fonte: Exame.com - 22/02/2013

 
A freada econômica do ano passado também freou o ritmo de contratações de engenheiros. É o que afirmam headhunters consultados pela Exame. Mas, segundo eles, isso não significa que não há espaço para os profissionais de engenharia.
Ao contrário: entre as 30 profissões mais promissoras para 2013, segundo levantamento da publicação, dez são ligadas à área de engenharia. E muito disso é por conta descompasso entre oferta de profissionais disponíveis e a demanda das companhias.
O gargalo, segundo os especialistas, não é tanto a formação, mas a experiência do profissional. “Diferente de uma área financeira que tem muita gente nova, a engenharia precisa de pessoas experientes”, afirma Rodrigo Falcão, gerente da Hays no Rio de Janeiro.  
Por isso, boa parte das oportunidades profissionais que chegam nas consultorias de recrutamento consultadas exigem conhecimentos que apenas a vivência de mercado pode oferecer. “As posições que estamos falando dependem do quão específico o profissional é”, afirma Giuliano Carcagnoli, da Futurestep. 
Confira a seguir os cargos de engenharia que, de fato, continuam em alta em algumas regiões do país, de acordo com a percepção dos headhunters consultados pela Exame:
Diretor de obras de infraestrutura
O diretor de obras de infraestrutura tem a missão de acompanhar todo o cronograma e tirar o empreendimento do papel. “Todo o planejamento da obra é responsabilidade dele, desde a compra de materiais, passando por custo até a visão de tudo o que está sendo feito”, afirma Fernanda Campos, diretora-executiva da Mariaca. O profissional deve ter formação em engenharia civil e experiência no setor.  
Diretor de licitações
O profissional atua em obras de infraestrutura e de energia e é responsável por estruturar a proposta da empresa para a licitação da obra. “Ele tem que entender de custos, planejamento, precisa ter uma visão muito boa do cronograma”, afirma a especialista da Mariaca. 
“Tem que ter muita habilidade e penetração nos meios de negociações comerciais com o governo e ao mesmo tempo ser muito técnico”, afirma Daniela Ribeiro, da Robert Half. E, segundo Falcão, principalmente, muita experiência. “Se ele não viveu uma obra de grande porte, como irá precificar?”, diz. 
Gerente de projetos
Trabalha principalmente em obras de infraestrutura e no setor de óleo e gás. Este é o profissional que tirará o projeto do papel, de acordo com Raphael Falcão, da Hays no Rio de Janeiro. “É a pessoa que conhece de tudo um pouco”, diz Daniela Ribeiro, da Robert Half.
“É um engenheiro de qualquer tipo de especialidade com background técnico na área em que está gerenciando o projeto e com certificações”, afirma Diego Mariz, da Michael Page. Na exploração do petróleo, segundo Falcão, geralmente, esta etapa é desenvolvida por equipes multidisciplinares. 
Diretores e gerentes de operações
Esse profissional atua em usinas hidrelétricas e eólicas. “Ele olha toda a cadeia de produção até chegar no produto final”, afirma a diretora-executiva da Mariaca. “A responsabilidade é garantir que o site está operando, rodando dentro da disponibilidade correta”, diz Diego Mariz, gerente da Michael Page. Sua formação deve ser em engenharia elétrica com background técnico dentro do setor de energia.
Engenheiros para manutenção
Trabalha no setor de óleo e gás (principalmente em plataformas de petróleo) e na indústria pesada. “A manutenção constante dos equipamentos em operação é feita pelos engenheiros”, diz Falcão, da Hays. “Eles são os responsáveis pela disponibilidade dos equipamentos”, afirma Diego Mariz, gerente da Michael Page. Os engenheiros devem ter bom nível técnico e a formação varia de acordo com o setor. 
Diretor de tecnologia
Atua no departamento de tecnologia das empresas. Esse departamento foi repaginado nos últimos anos e migrou de um papel de apoio para uma posição estratégica dentro das corporações.
“Ele ajuda a empresa a vender mais, melhora a qualidade do produto e faz com que a empresa chegue a mercados que não alcançava antes”, afirma Falcão, da Hays. Afinal, “é a tecnologia que otimiza a operação, desocupa postos de trabalho, reduz custos e aumenta a eficiência”, afirma Rodrigo Forte, da Exec. 
Por conta disso, agora, não basta ser um exímio técnico, o engenheiro que atua neste setor tem que ter uma excelente visão do negócio e boa capacidade de negociação. “Ele tem que entender dos negócios para poder trazer soluções no uso da tecnologia”, afirma Fernanda, da Mariaca. “Esta função, hoje, pede uma formação mais científica e complexa porque é um mercado em intensa inovação”, afirma a especialista da Mariaca.
Engenheiro ambiental
Esse profissional vem sendo demandado principalmente pelos setores químico e petroquímico, embora também possa atuar em outros segmentos.
A expectativa é que, nos próximos anos, mais empresas separem a área ambiental do setor de segurança de trabalho, de acordo com Daniela Ribeiro, da Robert Half. “O profissional precisa primeiro entender o negócio da companhia, os produtos e impacto no meio ambiente para, então, reformular os processos”, afirma a especialista da Mariaca. 
Atualmente, no entanto, a maioria das empresas mantém estas duas áreas unidas. Neste caso, o papel do profissional vai desde “manter a operação sem acidentes até garantir que a área produtiva não afete o ambiente evitando desperdícios, fazendo tratamento de resíduos”, afirma Diego Mariz, da Michael Page. 
O profissional deve ser engenheiro ambiental ou engenheiro químico com pós em ambiental, segundo o especialista da Robert Half.
Por Talita Abrantes/ Exame.com